Antroposofia e a Odontologia

images (15)

A Antroposofia é um trabalho desenvolvido por Rudolf Steiner, criador da Pedagogia Waldorf, a partir de 1919, que ressalta orientações salutogenéticas em busca de uma integração do ser humano. Ou seja, aspectos da embriogênese e da odontogênese são interligados trazendo a íntima relação existente entre órgãos aparentemente distantes e desconexos, mas que obedecem a processos suprasensíveis harmônicos.

Odonto-01-300x204

FORMAÇÃO DENTÁRIA

Segundo a Antroposofia, o corpo humano é produto da união de quatro corpos, onde o único corpo acessível à visão é o corpo físico. Os outros três podem ser entendidos pela ação que exercem neste.

* Por corpo físico entende-se tudo que é mensurável, dependente das forças físicas e químicas exteriores.

Os dentes são verdadeiras ferramentas destinadas a cortar, rasgar e moer os alimentos. Para que os dentes sejam tão duros é necessário que o organismo tenha disponíveis os minerais que fazem parte do esmalte, dentina e cemento.

* O corpo etérico se manifesta em todos os processos que ocorrem com sincronia e ritmo no tempo, vivificando os tecidos.
O etérico é sinal de organização temporal e vital. A atuação das forças vitais faz com que os tecidos cresçam, reproduzam-se, regenerem-se e cicatrizem.
Nos tecidos mais vitalizados encontramos bastante líquido, uma vez que a desvitalização é acompanhada pela diminuição do teor de água. As gengivas são tecidos em que as forças etéricas estão presentes e são muito atuantes durante toda a vida. Já no dente, as forças etéricas estão atuantes até por volta dos sete anos de idade, quando podemos perceber que todo o esmalte, até os dos segundos molares permanentes, já está formado e a criança pronta para ser alfabetizada, na visão de Waldorf.

* A atuação do corpo astral é sinônimo de organização espacial e de sensibilidade. A atuação do corpo astral é verificada nos animais e nos seres humanos pela formação espacial e relação com o espaço, movimento.

Já a sensibilidade é inversamente proporcional à vitalidade: quanto maior a sensibilidade maior a chance de adoecer.
Segundo Rudolf Steiner “Sentimos com as mesmas forças que adoecemos”. Por exemplo, o sistema nervoso tem uma organização espacial perfeita, enquanto o fígado é assimétrico e bem menos estruturado.

Essa mesma polaridade pode ser observada na vitalidade da gengiva que é acompanhada de pequena sensibilidade. O dente, por sua vez, é muito sensível internamente e em sua periferia, possuindo uma camada de esmalte com arestas, vertentes e sulcos perfeitamente esculpidos e sem qualquer vitalidade: 96% substância inorgânica.

* O Corpo de natureza espiritual, manifesta-se em todos os fenômenos onde há equilíbrio de opostos. Isto se traduz organicamente por formas de simetria complexas e por tendência à morte dos tecidos sob sua influência. A postura vertical humana é o equilíbrio entre todas as direções do espaço, entre as forças da gravidade e as da leveza. Nas arcadas dentárias, temos simetria bilateral e súpero-inferior. Nelas notamos ainda a atuação do Eu, no fato de todos os dentes se localizarem radialmente ao redor de um ponto central na boca e vemos a maior evidência de atuação no fato de todos os tipos de dentes – incisivos, caninos e molares – se desenvolverem de forma equilibrada, sem predominância de um ou de outro tipo. Essa informação é importantíssima ressaltando a necessidade do equilíbrio entre as hemi arcadas superior-inferior, esquerda-direita.

Odonto-03

ERUPÇÃO DENTÁRIA

Esse processo de surgimento dos dentes decíduos e depois sua substituição pelos dentes permanentes guarda íntima relação com algumas fases do desenvolvimento humano. O bebê nasce sem dentes e deve ser amamentado exclusivamente no peito nos primeiros meses de vida. Por volta dos seis meses de idade começam a surgir os incisivos centrais inferiores e quando estes estiverem totalmente erupcionados, o bebê ganha uma dimensão vertical bucal, que lhe permite engatinhar.

Por volta de um ano surgem os incisivos centrais superiores e quando erupcionam por completo e tocam os inferiores, há um novo ganho de dimensão vertical e agora ele já consegue ficar em pé. Colocados todos os 20 dentes decíduos na boca, perto de 24 e 30 meses, o bebê perde sua conformação arredondada e começa a esticar e correr com um movimento mais solto. Por volta dos seis anos, erupcionam os quatro primeiros molares permanentes, proporcionando mais uma estruturação da criança. A partir dos sete anos inicia-se a troca dos dentes decíduos pelos permanentes, quando ela finalmente está pronta para a alfabetização.

A troca dos dentes acontecerá até próximo dos 14 anos, restando o terceiro molar ou dente do siso para erupcionar perto dos 21 anos. Os dentes decíduos, mais arredondados, representam um período pré-natal, mais cósmico, enquanto que os dentes permanentes com suas esculturas mais trabalhadas são formados desde os primeiros dias de vida na terra.

Tanto a calcificação quanto a erupção do dente ocorre dos dentes anteriores para os posteriores, assim como a calcificação se apresenta da cora para a raiz e todo o desenvolvimento se dá no sentido céfalo-caudal. Nessa fase, a velocidade de todo desenvolvimento, orgânico e bucal, diminui e finalmente se conclui e se detém.

EXEMPLO DA ATUAÇÃO DA ANTROPOSOFIA NA ODONTOLOGIA

No primeiro setênio de vida, o flúor e o magnésio ajudam o Corpo Espiritual a apropriar-se do Corpo físico. Steiner apontou para a necessidade de equilíbrio desses elementos na formação do corpo humano, sendo que o primeiro participa de processos de endurecimento, consolidação, peso e condensação, enquanto que o segundo atua nos processos que carregam os imponderáveis, luz e calor, para dentro do mundo físico, subtraindo-os do peso e relacionando-os com o processo de dispersão.

De todas as substâncias que existem na Terra, é o flúor o que tem maior capacidade de combinação e é considerado como o meio de oxidação mais forte. O magnésio tem por missão, no plano da Terra, captar a luz do cosmos e incorporá-la dentro da vida. Se apenas predominasse o flúor seríamos duros, secos e quebradiços, enquanto que se sobressaísse o magnésio seríamos moles, aquosos e vitais. Está visão é incrível.

Durante muitos anos a odontopediatria se pautou pela aplicação irrestrita de flúor: aplicações em consultório e escolas, laboratórios produzindo com uma grande quantidade de flúor os cremes dentais, sendo que em alguns casos ele é inclusive contra-indicado. Hoje, já se questiona o uso e muitos laboratórios vêm adotando cremes sem flúor.

Steiner disse: “Os dentes são aparelhos para sugar o flúor no organismo. O ser humano tem, efetivamente, necessidade de pequenas quantidades de flúor em seu organismo ou irá conquistar uma inteligência que quase o anulará.
Devido ao efeito da ação do flúor, a inteligência humana vai sendo limitada, propiciando a falta de senso ou de discernimento.”, ou seja, aqui ele ressalta que a sabedoria verdadeira vem do corpo espiritual e quando o corpo físico torna-se “mais inteligente”, acaba anulando a verdadeira inteligência.

Mais do que oferecermos os elementos em si, devemos trabalhar o organismo e as formas de absorção de tais substâncias. Um exemplo claro é a recomendação feita por Rudolf Steiner em fevereiro de 1923, a respeito de um medicamento que hoje conhecemos como Calciodoron, na época ele disse “Não há necessidade de considerá-lo como medicamento. É uma espécie de prescrição dietética. Para tal não há necessidade de prescrição médica…”. Devemos ampliar as possibilidades higiênicas e terapêuticas sempre pensando em fatores que promovam saúde e não se restrinjam apenas a prevenir doenças.

O primeiro grande impulso na direção da saúde é o aleitamento materno, que contribui para o desenvolvimento adequado das arcadas e musculatura envolvida, também favorece na definição de uma respiração nasal.
A terapia com Calciodoron e Co-Calciodoron é indicada nas fases de crescimento, infância e adolescência, pois colabora na formação de ossos e dentes, ele neutraliza a irritabilidade e fortalece o metabolismo do cálcio.

Essa é apenas uma pequena introdução deste estudo magnífico.

Fontes: Clínica Tobias, Sociedade Brasileira Antroposófica

Estar presente é o melhor presente

images (11)

Quem nunca viveu o dilema?
– Quero meu consultório lotado, em plena capacidade de funcionamento, porém sinto-me cansado e esgotado quando isso acontece.
Pois bem, há muitas questões envolvidas nesta situação porém hoje venho ressaltar a perda de energia que temos quando passamos o dia todo preocupados com algumas coisas e parece que no momento que colocamos a cabeça no travesseiro, na hora do nosso descanso, os pensamentos borbulham sem parar. Isso resulta em um escape energético intenso, faltando energia vital para executar tarefas simples do nosso dia a dia e consequentemente interferindo no nosso trabalho. Estar presente, ou seja, conseguir colocar potencial de ação no momento em que estamos vivendo é o caminho para evitar pensamentos desconexos, sobrando desta forma, energia suficiente para resolver nossas questões com assertividade, no momento que devemos resolver. Estar presente não é tão fácil assim. É uma prática diária, que necessita diligência, porém os resultados são gradativos e podem ser percebidos em questão de horas.
Estar presente é o melhor presente que podemos dar a nós mesmos.

Priscila Ferreira
Crosp 49272